Em um mundo cada vez mais polarizado, a palavra tolerância muitas vezes é mal compreendida. Para o cristão, tolerar não significa concordar com o erro ou abrir mão de convicções bíblicas, mas sim exercer a paciência e a caridade para com o próximo, reconhecendo que todos somos carentes da mesma misericórdia divina.
1. O Suporte Mútuo no Corpo de Cristo
A Bíblia nos ensina que a convivência exige um esforço deliberado de compreensão. A tolerância cristã nasce da humildade de saber que também falhamos. O apóstolo Paulo foi enfático ao orientar a igreja sobre como lidar com as diferenças de personalidade e opinião:
"Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor." Efésios 4:2
O termo "suportar" no original grego traz a ideia de "sustentar" ou "dar espaço". É a capacidade de permitir que o outro seja quem ele é, enquanto Deus trabalha em seu caráter, assim como Ele trabalha no nosso.
2. A Diferença entre Aceitação e Concordância
Jesus foi o maior exemplo de tolerância. Ele sentou-se à mesa com publicanos e pecadores, não porque aprovava suas condutas, mas porque via neles pessoas criadas à imagem de Deus que precisavam de redenção. A tolerância cristã nos desafia a amar a pessoa sem, necessariamente, abraçar suas ideias ou comportamentos.
Paulo instrui a não desprezar aquele que pensa diferente em questões secundárias (como o que comer ou quais dias guardar). Ele resume:
"Quem é você para julgar o servo alheio? Para o seu próprio senhor ele está em pé ou cai." (Romanos 14:4)
3. A Tolerância como Caminho para a Paz
A falta de tolerância gera conflitos desnecessários que ferem o testemunho da Igreja. Quando escolhemos ser tolerantes, estamos priorizando a unidade do Espírito. Isso exige uma renúncia do nosso orgulho e do desejo de estar sempre "certo" em discussões estéreis.
"Se for possível, quanto depender de vocês, vivam em paz com todos os homens." Romanos 12:18
4. Praticando a Tolerância no Dia a Dia
- Ouça mais, fale menos: A tolerância começa na disposição de entender o ponto de vista alheio antes de criticá-lo (Tiago 1:19).
- Lembre-se da Graça: Se Deus é paciente conosco em nossas fraquezas, como não seremos pacientes com os outros?
- Foque no Essencial: No que é fundamental, unidade; no que não é fundamental, liberdade; em tudo, o amor.
Conclusão
A tolerância bíblica é, em última análise, o amor em exercício sob pressão. Ela não é sinal de fraqueza, mas de uma fé robusta que confia que Deus é o juiz de todos. Ao praticarmos a tolerância, não estamos ignorando a verdade, mas estamos criando um ambiente onde a verdade pode ser semeada em solo de amor e respeito.
"Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito." (Colossenses 3:14)
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